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CARTA ABERTA DE MIGUEL SOARES AO SEU AMIGO ZÉ MARIA...



Meu querido Zé Maria!

Se todos os dias penso em ti, hoje então o que dizer?!... Caramba, já passou um ano. Não dá para acreditar. E, como tu sabes, que ano tão intenso, em que tiveste tão presente no meu dia-a-dia, mas ao mesmo tempo ausente… Mas realmente, estou a ser egoísta porque tu estás num lugar bem melhor, bem no meio da arena desse Céu glorioso, citando com enorme galhardia, com aquela técnica e perfeição que só tu tens, estando pronto para “abrir os braços a todo este Mundo” e olhando por todos nós cá em baixo!
Sabes, hoje em dia falar em Heróis parece ser uma coisa de miúdos e gaiatos que escolhem os seus super-heróis e brincam na escola às super-aventuras… Mas agora eu, com esta idade, falar em Heróis?! Claro que sim! Porque tu és realmente um Herói, sempre o foste para mim e sempre serás. Sabes bem o quanto eu admiro, sigo e defendo o “nosso” Grupo de Montemor, com unhas e dentes! Desde pequeno! Quando te vi a assumir a chefia do Grupo, os meus olhos foram postos em ti! Quantas vezes fiquei a olhar para a trincheira, a observar-te, a seguir-te com os olhos e a ver como incentivavas o grupo, transmitindo toda a tua força, toda a tua determinação e toda a tua garra?... Sabes quantas vezes fiz isto?! Quase sempre, em cada corrida que o Grupo pegava! Porque te admirava e admiro como um verdadeiro Herói.
A tua alegria e energia eram verdadeiramente gigantes. E a forma como lideravas? Os teus discursos, as tuas acções e os teus conselhos eram sinónimo de sentido de responsabilidade, de seriedade e de pertença ao “nosso” querido Grupo e à sua História. Como só tu o sabias fazer! Por isso, e por tudo isto, subiste ao patamar dos Heróis porque foste o verdadeiro Forcado de Montemor!
“Zé Perfeito”, ao saltares a trincheira para bater as palmas a um toiro tinhas na cabeça o ideal da pega perfeita: citar de largo, templar a investida e mandar no momento da reunião… Sempre com as distâncias “à Grupo de Montemor”. Que grande Forcadão, que grande guerreiro, que grande Herói!
Estás a ver?! Não sou nenhum gaiato, já sou crescido. E então?! Não posso ter Heróis? Claro que posso. E tu para mim és um verdadeiro Herói.
Tive o privilégio de ser teu amigo e poder privar contigo. Gostava que tivesse sido durante muito mais tempo! Tantas e tantas vezes fui dar-te um abraço antes da corrida, desejar-te e desejar-vos sorte. Tantas e tantas vezes fui-te dar um abraço no fim da corrida, dar-te os Parabéns pela grande pega que fizeste naquela tarde ou naquela noite… Mais uma das tuas magníficas reuniões na cara de um toiro, das melhores que vi na minha vida!
Não me posso esquecer a forma como me abriste a porta para eu entrar na Família do Grupo de Montemor! E não me posso esquecer a forma, como me fizeste sentir que fazia parte da Família do Grupo de Montemor… Nunca me vou esquecer daquela tarde em que tu e o Tita (Gonçalo Saúde) me receberam e me trataram como se eu fosse um príncipe! A vossa atenção, o vosso cuidado, o vosso respeito, a vossa amizade… Memórias que ficam para sempre. No final desse dia perguntaste-me? “Faltou-te alguma coisa?” Eu nem sabia como agradecer!
Quis Deus chamar-te mais cedo. Quis Nossa Senhora a tua companhia. Ficámos nós aqui, cheios de saudades tuas, sentindo a falta da tua presença, da tua companhia, do teu sorriso.
Mas não podemos ser egoístas! Tu estás bem melhor e nós aqui em baixo temos obrigação de perpetuar a tua memória e o teu legado. É por isso, que quando o nosso querido amigo Francisco Romeiras falou comigo e me propôs este enorme projecto de fazer um livro sobre ti e para ti, eu aceitei logo esse desafio. Um livro de homenagem, um tributo, uma obra que ficasse para sempre e te imortalizasse. Foi isso que quisemos fazer: perpetuar o teu exemplo, homenageando tudo o que significas e todo o teu legado. Para que fique para sempre e para que todas as gerações. Na verdade, o facto de concretizarmos este projecto e esta nossa vontade revela que és UM FORCADO PARA A HISTÓRIA (como quisemos que constasse no título do livro). Mereces isto e muito mais! E espero mesmo que gostes do resultado final desta obra. Foi a pensar em ti e para ti!
Na Tauromaquia, destacaste-te como forcado da cara e como cabo. Hoje, peço-te que sejas primeiro ajuda para nos dares toda a força para os desafios difíceis das nossas vidas. Até já amigo, até já Zé Maria… Como diz o tio Quim Zé Murteira Correira, até já “nosso eterno cabo”!
Miguel Soares 


1 comentários:

josé carlos cortes at: 4 de maio de 2016 às 14:27 disse...

Muito bom!

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