Pedro Viegas - A raça e o valor de um Forcado

Crónica: Miguel Ortega Cláudio - NATURALES
Fotos: Pedro Batalha
A esta minha crónica de Vila Franca, hoje dia 6 de Maio do ano de 2013, poder-lhe-ia dar vários títulos, como por exemplo:
Concurso de mansos; O melhor não ganhou; A bravura é outra coisa; A bravura e apresentação não deve ser medida ao quilo; O júri deve ter visto outra corrida; Três ferros de Manuel Ribeiro Telles marcam a tarde; O Sorraia foi o melhor; O Sorraia... e por ai adiante.

Mas quero chamar ao título sem dúvida a raça, o valor, o desprendimento, a humildade e a alma de um forcado, Pedro Viegas.

Tratando-se esta corrida de um Concurso de Ganadarias no qual estavam em disputa dois prémios, bravura e apresentação, vou debruçar-me sobre os toiros a concurso:
Abriu a corrida um toiro da ganadaria Palha, de 5 anos, 560kg, negro, rematado e bem posto de cara. Foi um toiro que cortava terreno, tentou sempre colher o cavalo, as suas intenções nunca foram as melhores, toiro muito complicado, que destapava o mais acreditado.
O exemplar da casa Prudêncio saiu em segundo lugar, também com 5 anos, 580kg, negro e com um quarto dianteiro muito desenvolvido, característico da ganadaria. Foi manso com querença na porta dos curros, tinha nobreza nas investidas e deixou-se lidar sem problemas de maior.
O terceiro a sair ao redondel tinha o ferro de David Ribeiro Telles, mas tinha dificuldades de locomoção, foi devolvido aos currais e em seu lugar saiu o que fazia sexto.
Era da ganadaria de Canas Vigouroux este jabonero, que acusou na balança 605kg, alto, grande, bastote de tipo, bisco e com pouca cara para o tamanho. Quanto ao comportamento, andou sempre a trote, foi andarilho, nunca se empregou nas sortes nem nos capotes, escarvou e no momento do ferro metia a cara alta. A seu favor teve a mobilidade, mas mentirosa.
O quarto era de Oliveira Irmãos, toiro bisco de cornadura, negro de capa e muito bom tipo, anunciado com 545kg. Foi um manso de livros, andou sempre a medir, refugiado na porta dos curros e com arrancadas intempestivas.
O quinto diz o ditado que nunca é mau e este, para mim e para grande parte dos presentes (não digo todos porque houve alguns não acharam, mas isso explico mais adiante), foi o melhor da tarde. Pertencendo à ganadaria de Vale de Sorraia, era cardeno de capa, veleto, com estampa de toiro antigo, 535kg. Foi alegre, galopou e mostrou-se sempre pronto na investida. Mas também teve pontos negativos – a falta de força e alguma querença na porta dos curros, mas da qual saía com facilidade.
Em sexto lugar saiu o sobrero, que não estava a concurso, pertencia à ganadaria Palha, tinha 565kg. Toiro com querenças em vários sítios da praça e com algumas complicações, nunca se empregou nos cavalos, capotes, saía sempre solto.

Como se tratava de um concurso de ganadarias havia um júri, o qual foi anunciado aos altifalantes da praça e o qual era composto pelos senhores: Dr. Vasco Lucas, Sr. João Mascarenhas, um membro da Santa Casa da Misericórdia de Vila Franca, um antigo forcado dos Amadores de Vila Franca e um membro da empresa Tauroleve.
Decidiram os senhores jurados, por maioria, que os prémios eram os seguintes:

Prémio de Apresentação: ganadaria Palha.
Prémio de Bravura: ganadaria Canas Vigouroux.

Respeito mas não concordo de forma alguma com os dois prémios e passo a explicar.
Devia o júri saber as características morfológicas de cada ganadaria a concurso e pelos vistos não as soube ver.
O toiro Palha estava bem apresentado, gordo, rematado, mas era bisco e tinha pouca cara.
Não estaria muito mais em tipo o toiro de Vale de Sorraia? Baixo, veleto, com a pelagem característica da ganadaria, com o peso adequado! Pelos vistos não!!!
Apresentação deve ser para alguns gordura e formosura...
Mas se o prémio de apresentação ainda se come com batatas, o de bravura foi escandaloso.
Bravo não houve nenhum!! Mas quiseram os senhores que votavam entregar a “taça” a alguém...
Os senhores jurados deviam saber o que significa a palavra bravura e pelos vistos não sabem, ou não quiseram saber!
Para mim e para quase toda a praça o menos manso foi o Vale de Sorraia. Mas quiseram os senhores jurados atribuir o prémio a um toiro que andava a trote, que não humilhava, que foi reservado, que fez mais do que um feio, alguns graves como aquele já quase no fim da lide em que escarvou e descaiu descaradamente para as tábuas.
Claro está que o prémio foi entregue debaixo de um coro de assobios!
Quem terá ficado a ganhar com isto? O público, que saiu da praça a reclamar? A empresa? O ganadero vencedor, que recebeu o prémio entre apupos sem ter culpa nenhuma? A festa dos toiros?
Saímos todos a perder, execpto quem votou, que saiu contente por ter visto um bravo onde não o houve! E acabou por premiar não o menos manso mas o segundo ou terceiro menos manso...
Há que ter muito mais cuidado na hora de se ajuizar certos prémios e neste da bravura o cuidado deve ser redobrado. Não se devem confundir certos conceitos que estão mais que estudados, analisados, debatidos e fundamentados! Nunca se deve atribuir um prémio de bravura a um toiro que foi manso!

Os Amadores de Vila Franca e de Alcochete, a par de Manuel Ribeiro Telles, foram os grandes triunfadores da tarde.
Pelos de Vila Franca foram caras:
Ricardo Castelo enorme à primeira tentativa.
Ricardo Patusco à segunda tentativa. Na primeira o toiro meteu a cara alta e cá atrás despejou o forcado com violência.
Pedro Castelo numa pega tecnicamente perfeita à primeira tentativa.

Pelos Amadores de Alcochete foram caras:
João Gonçalves numa grande pega à primeira tentativa.
Tomás do Vale, que saiu maltratado na primeira tentativa, sendo dobrado por Fernando Quintela que esteve enorme a suportar os derrotes do Oliveira.
Pedro Viegas à segunda tentativa. O Pedro mostrou naquela segunda tentativa seguramente toda a heroicidade do povo português! Suportou derrotes até mais não, quando parecia que o grupo tinha conseguido suster a brutidade do Palha, eis que abre e o Pedro ficou novamente sozinho na cara, novamente derrotes demolidores com o toiro a fugir e a mostrar a sua condição de manso, Palha Blanco de pé em euforia total! Que pegão!!

Poderia esta corrida ter acabado com um bom sabor de boca, não fosse alguns terem querido ter algum protagonismo...

Dirigiu a corrida correctamente o Sr. João Carrinho, numa praça que registou meia casa da sua lotação preenchida.
































1 comentários:

Unknown at: 6 de maio de 2013 às 17:28 disse...

Sr Claudio,
Tem toda a razao em dizer que não houve nenhum toiro bravo, mas o que se passou com o toiro de vale sorraia foi vergonhoso, o toiro não levou um unico capotazo para se dobrar, andaram a lide toda a aliviar o toiro para ganharem o premio, o de canas não era bravo mas também não teve a lide mais correta. E outra coisa, o juri como disse e bem era composto por 5 elementos entre os quais Dr. Vasco Lucas, Sr. Fernado Palha(havera alguem que saiba muito mais de toiros que estes dois senhores) como tal a opiniao que conta e a do juri e não do publico!

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